quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Mais uma primavera

ou verão de mais um 7 de janeiro.
Já que ele é mais conhecido por mim pela ocasião de apagar as velinhas, essa pode ser a trilha de hoje.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Outro que se vai

Ele foi como as pessoas e situações que a gente nunca esquece por serem ruins e desoladoras. Aquelas em que, num determinado momento, desaparecer poderia ter sido a melhor escolha.
Separação, dor, agonia, tristeza. Esses sentimentos combinados com ações por certos dias nos ensinam muito mais e povoam assim uma parte de nossas lembranças que não é possível esquecer. Não por rancor, raiva ou imaturidade e sim, pelo crescimento que tudo isso proporcionou quando aconteceu.
Pessoas, críticas, despedidas se vão como esse, que não foi mais um, mas outro ano que, junto com os outros porque não parecidos com esse, se tornam os mais importante na vida de qualquer ser que tenha aprendido algo sobre a vida....

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Idas e vindas

O que é que faz alguém ficar em nossas vidas? Isso é tanto para os quase amores impossíveis, quanto para aqueles que desfrutam, por um tempo, daquilo que chamavam de amizade.
Quer dizer, a primeira situação pode ser um pouco mais fácil de ser entendida. Conflitos de interesses, tempos diferentes, gostos, cheiros ou somente o não gostar e ponto.
Então temos a segunda situação, pessoas que convivem num mesmo ambiente: sei lá, estudo, trabalho coisa e tal. Claro que você nunca é amigo de todo mundo, esses você conta nos dedos e, não somente na hora da aflição, mas principalmente, no sucesso. Dar a mão pra quem está caído basta um pouco de vontade e quiçá misericórdia. Agora, estar ao lado de quem conquistou algo, realmente não é pra qualquer um. A inveja é, ao menos no meu ver, o sentimento mais difícil de ser controlado. Às vezes nem é por maldade. O ser humano é, na maioria das vezes, egoísta. Pode ser, por exemplo, um momento ruim que esteja vivendo e, talvez, não consiga se entregar totalmente a alegria, a festa do outro.
Isso pode se encaixar quase naquela coisa da alegria e na tristeza, com maior peso para a primeira sensação.
Por que um grupo que convive por um determinado tempo, por vezes por uma obrigação diária, não sobra ninguém. Ou então, num outro grupo nas mesmas condições, apenas dois ou três é que se mantêm e criam laços verdadeiros?
Será que são as afinidades, interesses, tempos, gostos, cheiros ou somente o gostar e ponto?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Aquela velha história

Eu me lembro muito bem daquele dia em que estávamos ali, sentados no chão da sala que ainda não tinha sofá, em silêncio. Tomando um vinho, ouvíamos música que se misturava aos ruídos da avenida barulhenta em frente ao seu prédio. E ele, ao falar sobre qualquer coisa que não fosse o que já tínhamos conversado durante o dia, foi quando não me contive. Lágrimas escorreram pelo meu rosto, pela primeira vez diante de um estranho. Quer dizer, aquela era a segunda vez que nós nos víamos, a segunda no mesmo dia em que nos conhecemos naquele final de ano.

Foi então que ele me pegou pelo braço e me colocou diante do espelho. “É assim que você quer ser? É isso que você vai deixar que causem em você?”, disse com raiva e depois continuou, “Não tem segredo. Quem gosta fica junto e pronto. Não há problema, nem medo que impeça” e seguiu me dizendo todas as outras coisas que, alguém com vinte anos a mais, poderia me dizer naquela hora pra quem sabe me fazer entender. Depois me beijou. Eu me assustei e me senti estranha.

Qualquer pessoa poderia entender errado. Nos entender errado sobre como é a nossa forma de não demonstrar os sentimentos e assumir aquela frieza absurda quando estamos apaixonados pelas outras pessoas. Ou, em como nos jogamos um para o outro sem medo algum. A estranheza dos outros nos afastam do mundo e nos deixa próximos.

E assim sempre ficávamos ali, no sofá que chegou tempos depois, ouvindo música, a avenida barulhenta. Depois ele me pedia pra deitar em seu peito, afagava em meus cabelos e dizia que a minha cerveja preferia estava na geladeira. Hora e meia dávamos gargalhadas sem fim ao lembrar daquela vez, às 4 e meia da manhã, quando saímos de uma festa na cobertura de um prédio bacana e, fantasiados, procuramos um taxi e cantamos Like a rolling stone pelas ruas enquanto um carro branco não aparecia.

Lembro daquele dia, o divisor de águas, uma quarta-feira, quando ele me ligou pra nos encontramos naquela padaria hypada, como os habitantes daquele bairro costumam chamá-la. Fazia tempo que não nos víamos. Era dia de jogo e o lugar tinha duas tvs. Ele se surpreendeu quando fiquei de costas para a que estava passando o jogo do São Paulo. A minha atenção estava voltada pro outro jogo que passava na tv a minha frente: Palmeiras x Flamengo. "Não entendo porque é que você quer prestar atenção nesse outro jogo", ele disse. Respondi que o confronto era mais importante, já que os dois times estavam no G4 e eu estava ligada em saber da classificação por causa da libertadores, coisa e tal (mentira, claro) e continuei comentando sobre o Brasileirão. Ele disse que não sabia do que estava rolando e eu, para alfinetar, disse que era óbvio afinal, o time dele estava na segunda divisão na época.

Ele tentava me abraçar ali, na frente de todos, sem medo algum. E eu fiquei com um olho na tela e outro no celular, esperando sabe-se lá porque a ligação de alguém que estava no estádio, mas que não estava nem ai pra mim, não só por aquele momento.

Depois que saímos do lugar, ele quis andar de mãos dadas como sempre, me beijar e me arrastar para sua casa. Quando me esquivei, coisa nunca antes feita em outros anos, ele entendeu que estava apaixonada pelo motivo do jogo, pelo celular que não tocou e que nem recebeu uma mensagem sequer. E entendeu também o meu sumiço, nos dois meses seguintes e a minha não risada, aquela que solto quando ele me liga e me chama de meu amor. Assim como entende o meu jeito, o meu mau humor matinal que sempre diz que passa com um beijo e me faz rir ao falar que a minha bunda não é magra coisa nenhuma... E as minhas neuras e minhas loucuras e perdições.

Entendeu e percebeu o término com o outro quando estávamos no sofá. Dai eu comecei a falar sozinha, me fazendo aquela pergunta que as mulheres sensacionais se fazem quando algo acaba porque, na verdade, não sabem o tamanho do seu valor: "O que é que eu tenho de errado? Por que ele não gosta de mim?".

Ele riu e me disse que amar não dói, mesmo que sobre isso eu não possa opinar. Me puxou para deitar em seu peito, aquele que não me causa nem dor nem amor. Afagou o meu cabelo e, antes de me perguntar se estava com fome, de se oferecer para preparar aquela massa com o molho que adoro e dizer que a minha cerveja preferida estava em sua geladeira, cochichou no meu ouvido. Disse aquela frase desde que nos conhecemos há quase cinco anos. "Esse cara não sabe o que está perdendo". A voz saiu misturada com a música, com a avenida barulhenta e a minha quietude que só consigo encontrar ali.


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Das voltas

Não é arrogância. Isso é só uma capa que mudou de nome porque antes era um muro onde sabia que, com razão, existia aqui. Aquela voz, em certas horas, insistente em perseguir. Alguns chamam de sexto sentido. Eu chamo de loucura que no fim prova ter sentido.

Talvez sejam apenas alguns pensamentos, mas ninguém tira inspiração do nada. O que é que pode dar certo depende, quase sempre, de um segundo. O tal do ninguém não sabe explicar. Nem eu, nem você... Se é algum toque, uma fala, o suspiro, o jeito, a cor ou o tipo. Talvez a verdade ou a mentira que nos esconde e nos liberta para pensar enquanto se está deitado ali.

O lixo produzido pela mente, por causa do ontem, do hoje e do amanhã é irrelevante. Mas, acaba tornando-se um ciclo vicioso que, obviamente acontece com todos os seres, de vez em quando ou de vez em sempre. Nunca se sabe. Depende da freqüência. Cada pessoa ao passar por você, te deixa um pouco dela e, leva um pouco seu, consigo. Todos nós somos, na verdade, um mistura de resquícios.

O resto é só desculpa, borboletas que aparecem no estômago, mas que são expulsas. O medo, a aflição e a pressa do encaixe, para que venha aquela sensação responsável por mostrar que você não é só algo que perambula por ai, como amantes perdidos em busca do que é possível e impossível de ter e de ser...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sobre as pessoas III

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa

Sobre as pessoas II

Acho que algumas pessoas têm só uma função em nossas vidas: a de trampolim.
Quando você finalmente resolveu encarar o desafio de subir, depois de tanto hesitar, o final pertence ao salto. Daí ou você pula e faz aquele salto maravilhoso, cai na água e depois nada até a beirada da piscina... Ou faz um salto horrível com direito à barrigada e depois acaba nadando também.
Mas de uma forma ou de outra, o destino para essa situação sempre é o mesmo e inevitável: o pulo.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sobre as pessoas

Eu achava que as pessoas eram diferentes, realmente diferentes. Então, percebi que na situação em que envolve o outro elas são iguais, iguaizinhas...

Na verdade o que as diferencia é o tipo de fuga e, principalmente, a desculpa usada antes do meio-dia.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O primeiro disco

Outro dia estava conversando com os amigos e cerveja vai, cerveja vem a pauta foi para música. Há muito tempo que a galera da mesa não comprava cd (culpa da internet ou das gravadoras?) Com isso lancei a pergunta:
“Qual foi o primeiro disco que você comprou?”

A indagação tinha que ser respondida assim mesmo ao pé da letra, sem contar o primeiro disco que lembra de ter ouvido ou que ganhou. O que vale é aquele que você pegou o dinheiro e por livre e espontânea vontade (ou influência da época e pessoas, vai saber) você comprou.

O mais engraçado é quando alguém fica receoso em responder. Enrola um pouco e depois vem a pérola justificada logo em seguida pela idade. Percebi que isso acontece com os amigos da minha idade, já que quando solto essa pergunta para os amigos mais velhos, a resposta fica previsível.

O meu foi London Calling, quando eu tinha uns 12 anos que, aliás, é uma das minhas bandas de cabeceira.




1. London Calling
2. Brand New Cadillac
3. Jimmy Jazz
4. Hateful
5. Rudie Can'T Fall
6. Spanish Bombs
7. The Right Profile
8. Lost In The Supermarket
9. Clampdown
10. The Gungs Of Brixton
11. Wrong' Em Boyo
12. Death Or Glory
13. Koka Kola
14. The Card Cheat
15. Lover'S Rock
16. Four Horsemen
17. I'M Not Down
18. Relotuion Rock
19. Train In Vain


E o seu, qual foi?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Cemitério dos livros de verdade

...”As salas são claras, os quartos amplos, de acordo com a sua capacidade e destino, tudo bem arejado, com o ar azul dessa linda enseada de Botafogo que nos consola na sua imarcescível beleza, quando a olhamos levemente enrugada pelo terral, através das grades do manicômio, quando amanhecemos lembrando que não sabemos sonhar mais... Lá por ela adentro uma falua, com velas enfunadas e sem violentar; e na rua embaixo passam moças em traje de banho, com as suas bacias a desenharem-se nítidas no calção, até agora inúteis.

Paro aqui, pois me canso; mas não posso deixar de consignar a singular mania que têm os doidos, principalmente os de baixa extração, de andarem nus. Na Pinel, dez por cento assim viviam, num pátio que era bolgia do inferno. Por que será?”...


Estava lendo Amor líquido – sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zigmunt Bauman. Ao contrário do que possa se pensar, o livro não é um ensaio sugerindo fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas, mas sim comparando essas relações como investimento numa bolsa de valores adicionando ai toda a realidade em que vivemos na era da internet além do medo e insegurança que assombra os seres pós-modernos. Entenda-se que é um tapa na cara típico de Bauman.

Por se tratar de uma obra assim, é preciso tempo para digerir, respirar, pensar e analisar sem querer querendo as pessoas ao seu redor. Por isso parei no meio do livro e comecei a ler O cemitério dos vivos, de Lima Barreto que corresponde ao trecho que abri o post.

Para adicionar, ontem peguei Vagabundos Iluminados, de Jack Kerouac. Sou suspeita pra falar porque ele é facilmente um dos homens da minha vida, se não for “o”. Preferi ler depois, já que esse livro e Os diários de Kerouac é o que falta para ler tudo desse autor. Como não quero sentir dor no coração de matar logo as obras do cara, fico sempre adiando. Coisa de doido. Quer dizer, doido é o Cemitério dos vivos. Aliás, tenho uma mania: Toda obra que pego para ler, sempre leio a primeira e a última palavra do livro e só depois é que começo a ler a coisa toda.

Confuso os caras que misturei?
Bem, num momento onde contos de bruxos e vampiros photoshapados arrebentam de vender nas livrarias da vida, literatura de verdade salva.